Sobre mim

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Linda-a-Velha, Lisboa, Portugal
Comecei a imaginar e criar a decoração dos meus bolos depois de algumas desilusões com bolos comprados em pastelarias. Nunca me achei uma pessoa especialmente criativa, mas com o incentivo e carinho das pessoas que me rodeiam, essa realidade mudou. Gosto de cozinhar tudo, embora as sobremesas sejam o que me dá mais prazer e gosto de um resultado final impecável A arte de satisfazer o estômago alheio ainda não é uma actividade a tempo inteiro, mas um dia, certamente, será!

terça-feira, 14 de abril de 2009

28.09.1921 - 06.12.2008


Sinto-me triste... Vazia... E com uma tremenda dificuldade em lidar com isto e isto tem um nome, mas nem me atrevo a pronunciá-lo.
A minha avó reinava, mandava, dominava e dava uns beijinhos repenicados que só ela. Estas coisitas irritavam-me até mais não.
Tarde demais percebi que sempre fez o que podia e como sabia, até porque dou por mim a querer reinar, mandar, dominar a dar beijinhos repenicados, a abanar o pé quando tou sentada no sofá e a esquecer-me das coisas ao lume... e também há quem se irrite com isso!!!

Dormia lá em casa, de vez em quando, quando era pequena. Os meus primos moravam lá e apesar de serem mais velhos que eu, no Verão, levavam-me com eles para brincar na rua depois do jantar, enquanto a nossa avó e as outras conversavam no quintal.
Mas não podiamos ir para a rua de cima e nem pensar aproximarmo-nos do moinho. Antes de dormir havia gemada, a Carla batia a minha até ficar quase branca e já deitados o Tó-Mané ensinava-me algumas palavras em inglês - só me lembro de ter aprendido cheese (!!!).
Quando ia para a praia com os meus tios a avó fazia sandes de ovo para a merenda e no regresso a mangueira já estava a aquecer ao Sol para tomarmos uma banhoca.
Depois do almoço e sentados lá atrás ouvia-se os Parodiantes e as moscas, porque hora de Parodiantes era sagrada e ninguém falava.
Contou-me vezes sem conta a história do "Macaco do Rabo Cortado", sabia-a de cór e contava-a sempre da mesma maneira.
Deixava-nos rapar a taça de fazer o bolo e fingia que não via quando roubava-mos a massa ainda crua dos biscoitos.
Tinha galinhas, coelhos, patos e um grilo que nós alimentava-mos com folhas de alface.
No quintal ainda há um marmeleiro e um limoeiro que o meu primo insiste em podar quase até à raiz... hahaha, e havia um pessegueiro, Lúcia Lima para fazer chá e morangos, pequeninos, deliciosos e que ficavam tão bem com o chantilly da Laidinha, o melhor que comi até hoje! E não me posso esquecer da ginjeira que dava brincos, antes de eu furar as orelhas!!
A minha avó organizou o baptizado do meu careca. Onde?? Nem mais nem menos do que nos Jerónimos. Há pois é...
Lá fui eu e os miúdos lá da rua molhar a cabeça do boneco na pia de água benta e depois houve comes e bebes lá em casa - sandes, sumos, gelatina, arroz doce e sei lá que mais...
E no frigorífico havia sempre chocolates de sabores da Regina e os dos losângulos também. Quem se lembra destes chocolates??
Será que me estou a esquecer de alguma coisa?? É bem provável...

Adeus Vó

1 comentário:

GM disse...

Pois é...
A vida é estranha, as coisas que recordamos...
E as pessoas importantes para nós, mesmo quando não damos conta que estão mesmo ali... enjoy life!